Mestre Pop
É FARINHA DO MESMO SACO E MELADO DA MESMA GAMELA.

Quais dos candidatos à prefeitura de Florianópolis têm um histórico de luta em prol do setor cultural da cidade? Em minha opinião nenhum!
Por: Mestre Pop e Serena
Para Florianópolis se tornar uma referencia no campo das políticas públicas de valorização de seu capital cultural se tem que antes de tudo pensar nos agentes vivos da produção cultural da cidade, pois são estes os verdadeiros patrimônios culturais do município.
Enquanto mestre de capoeira que a mais de 35 anos venho produzindo cultura popular em Florianópolis, enquanto artesão e ator sei perfeitamente do que estou falando. Sou testemunho vivo da negligência e da indiferença dos gestores públicos no trato para com os cidadãos promotores da cultura da cidade em todas suas dimensões. O sucesso de alguns artistas de Florianópolis é decorrência de esforços pessoas e não de intervenções de políticas públicas de incentivo e fomento à cultura e a arte, pois se fossem depender da vontade política e de recursos públicos, certamente não chegariam a lugar algum.

Em minha opinião nenhum dos candidatos que se apresentam tem legitimidade para falar pelo setor cultural de Florianópolis, pois os mesmos desconhecem a realidade social e econômica deste setor. Por mais que discursem em favor da cultura os mesmos ignoram a dimensão da diversidade cultural de Florianópolis e consequentemente seus problemas. Entra ano e sai ano e o setor cultural de Florianópolis continua sendo ignorado pelos administradores públicos. Para citar um exemplo os produtores e gestores que buscam algum apoio nos órgãos da prefeitura como a Fundação Franklin Cascais sabem do que eu estou aqui expondo. A Política adotada por esta autarquia é uma política pragmática, pontual e exclusivista que não atende as necessidades dos trabalhadores do setor cultural do município.

Após amargar longos 20 anos de engavetamento, foi criado o Fundo Municipal de Cultura, e embora devamos admitir que pode ser um começo, ainda é um fundo com recursos modestos que não atende a demanda do setor. Os gestores sempre ignoraram a população produtiva e criativa do município e nunca houve uma preocupação em se fazer um senso, um mapeamento da produção artística de Florianópolis, e consequentemente dos produtores ou agentes culturais. Por exemplo, uma estatística que é ignorada pelas instituições públicas de cultura da cidade _ que aqui é a Franflin Cascaes -, é a da própria capoeira, que conta com um numero de 30 instituições diversas atuando em todos o município, com mais de 5 mil praticantes, entre crianças jovens e adultos. Você sabia disso? Provavelmente outros setores igualmente importantes e representativos, como a dança, o teatro, o artesanato, a música, as artes marciais, a literatura, também não se tem estatística de sua dimensão por parte do governo. Como propor políticas públicas sem um diagnóstico preciso dos problemas existentes? Estes gestores são como aqueles médicos que dão receitas de medicamentos aos seus pacientes, sem ao menos pedir exames aos mesmos. É o que acontece historicamente em Florianópolis. Para finalizar foram oito anos de gestão da Ângela Amim e oito anos de gestão Dario Berger e a política cultural do município continua ineficiente diante da realidade e das necessidades urgentes de do setor..

Estamos em plena campanha eleitoral e nenhum dos candidatos pretendentes a ocupar o cargo mais importante do poder político de nossa cidade chamou os representantes dos diversos setores da cultura para uma audiência pública, a fim de debater acerca das questões da cultura no município. Em período de campanha todos fazem promessas e mais promessas, que vão transformar Florianópolis na capital Cultural do MERCOSUL..., tudo paralogismos, falsas promessas de campanha, pois como foi dito estes candidatos não têm relação com as bases do setor cultural. Um ou outro talvez até tenha pontualmente alguma relação, mas concretamente não, por isso que amargamos ausências de políticas publicas para o setor já há muitos anos.

A candidata Ângela Albino está prometendo atender uma reivindicação histórica do setor que é criar a Secretaria Municipal de Cultura. É esperar para ver e caso ela ganhe as eleições, vamos ficar atentos em quem será indicado para ocupar a pasta de secretário (ou secretária). Será alguém do setor ou algum político que não tem legitimidade alguma com a cultura? Digo isso, pois estou dentro do partido do PCdoB enquanto membro da direção municipal, e em nenhum momento houve por parte da candidata e da direção de campanha desejo e esforço político para inserir-me objetivamente dentro da campanha enquanto representante do setor cultural de Florianópolis, para dar as minhas contribuições. O fiz voluntariamente, conforme publicações que farei em breve.

Esta minha experiência demonstrou-me que a candidata Ângela, e penso que também o Gean (por estar ligado ao ex-superintendente da Fundação Franklin Cascaes) e o César (por ter sido Secretário de Cultura do Estado), têm uma visão fechada para o setor cultural, como se cultura fosse apenas Festivais, Festas, “Maratona Cultural”. A cultura é muito mais que isso. Para valorizar de verdade a cultura de uma região é preciso olhar para as pessoas, os produtores culturais locais. Identificar os indivíduos através de sua história, suas atividades artísticas específicas, e acima de tudo saber de seus sonhos, seus anseios de artista. É preciso falar na economia criativa, na valorização das pessoas que detém os conhecimentos culturais produzidos na cidade. Cuidar da cultura da cidade não é gastar dinheiro público (no caso do governo do estado) para promover show de Paul McCartney e ainda a um preço que a maioria da população não possa pagar. O olhar destes candidatos e de outros tantos, é muitas vezes um olhar elitista e preconceituoso, como ainda acontece com a própria capoeira, por estes ignorada. Não sabem o valor cultural agregado a ela. Desconhecem a realidade deste e de outros segmentos da cultura de Florianópolis.

O que percebemos ao longo dos anos em Florianópolis, é que os gestores públicos só têm olhos para a cultura açoriana, e assim mesmo não atinge aos mais necessitados, que são as bases, os produtores e detentores destas culturas. Se fala muito sobre a diversidade da cultura em Florianópolis! No período eleitoral todos fazem promessas de valorização da cultura. Eu pergunto: que cultura? Alguns destes candidatos estão se comprometendo concretamente com recursos a serem investidos na cultura em sua gestão? Acredito que não. E se sim, de quanto é este recurso?... 0,8% do ISQN, como é o caso do fundo Municipal de Cultura?. Por outra, vão manter a Fundação Franklin Cascaes exatamente como ela está? Se for o Gean eleito, vai manter como ela está. E os outros? Que compromissos têm de fato com as pessoas que vivem e dependem da cultura e da produção criativa, para viverem. Peço inclusive aqui, desculpas a centenas de amigos e companheiros dos diversos segmentos da cultura de Florianópolis, que dialoguei sobre a perspectiva de uma candidatura legítima e popular, verdadeiramente compromissada com as bases, e que terminei criando uma expectativa de termos uma prefeita com um perfil diferente do que está historicamente colocado em nossa cidade. No entanto, para minha decepção e frustração, diante do tratamento que me foi dado dentro da campanha da Angela enquanto representante da cultura popular, tudo leva a crer que é tudo farinha do mesmo saco e melado da mesma gamela.

Estou expondo estas questões, pois não podemos ficar quietos diante de tanta hipocrisia! Chega de tratarem a cultura desta cidade como atração para turista. São milhares de trabalhadores do setor que vivem e dependem de sua arte, seja esta a música, a dança, as artes plásticas, o teatro, enfim, seja da cultura erudita ou da cultura popular. O fato é que estas pessoas sabem do que estou falando. E espero que não fiquem mudas diante do exposto, mas do contrário, compartilhem, comentem, contribuam, para que estes candidatos e futuros prefeitos vejam que existe um setor que precisa com urgência ser enxergado como tal. Pensem no voto que vocês vão dar. Falar de cultura todos vão falar. Vão falar de educação, de saúde, de mobilidade urbana..., mas de fato, até onde estas promessas de campanha verdadeiramente se concretizarão? É pagar pra ver e em 2013 cobrar, seja qual for nosso futuro prefeito ou prefeita! 
Por: Mestre Pop e Serena